Usina dos Atos comemorou 10 dez anos

Patricia Braga

Por Patricia Braga

Jornalista e Bacharel em Letras. Tem ampla experiência com produção e revisão de conteúdos jornalísticos e materiais de apoio, tendo passado pelos setores de construção sustentável, crédito imobiliário, comércio e varejo.

Usina dos Atos comemorou 10 dez anos


O encontro contou com a presença de convidados especiais, além de ser espaço para troca de experiências e perspectivas no âmbito da Educação Popular, palestras, mesas de debate, oficinas, apresentações artísticas e algumas novidades.

O Usina dos Atos completou 10 anos em outubro deste ano, e para comemorar essa trajetória de existência e resistência promoveu no último dia 19 o encontro com o mote “Educação Popular, nossa bandeira, nossa trincheira”.

O evento aconteceu no Teatro De Contêiner, na região da Luz, das 8h30 às 18h00. Palestras, roda de conversa, apresentação artística, além de uma minifeira de economia solidária são algumas das atividades do encontro.

Para Caio César Teixeira, fundador e coordenador geral do Usina dos Atos, o Encontro de Educação Popular é resultado das atividades desenvolvidas na última década.

"Nesses 10 anos, conseguimos impactar mais 3 mil pessoas, entre jovens de 14 a 22 anos, familiares e moradores da Zona Leste e Zona Sul, especialmente dos bairros de Cidade Tiradentes, Guaianases, Cidade Dutra e Grajaú. Nós colocamos a mão na massa, praticamos e desenvolvemos metodologias de Arte Educação, Formação Política e Sociocultural, portanto este evento foi uma oportunidade de dividir essas experiências e trocar experiências com tantos outros agentes e educadores que também fazem acontecer”, destaca o articulador cultural.

Programação

No período da manhã, o debate se deu através da sessão “Educação Popular como Resgate da Formação Política”, que contou com a fala da Coordenadora de Núcleo da UNEafro Brasil, Elaine Mineiro, com contribuições do Paulo Reis, membro do Usina dos Atos. 

Na sequência, às 10h30, o evento deu espaço outra atividade destaque do evento, a “RODA DE CONVERSA: Transformar Discurso em Ação” com a participação de Marcos Felipe, da Cia Mungunzá de Teatro, Emerson Ferreira, do Reflexões da Liberdade, da Atriz e Educadora Jennifer Souza, da Fotógrafa Stephannie Alves e da Produtora Thais Santos. A Roda terá mediação de Paulo Reis.

O encontro também teve seu momento de distração, após o almoço, com o sorteio de alguns livros para a plateia, como: A Sociologia de Marx Weber; Desassossego (Fernando Pessoa); Tempos Extremos, de Miram Leitão, entre outros títulos interessantes. 

Esse momento deu sequência a uma grande atividade coletiva, que teve a participação de toda a plateia, com opiniões, considerações e reflexões. A Sessão DIÁLOGOS E EXPERIMENTAÇÕES – Como pensar os desafios da Educação Popular – Espaço de Construção Coletiva, recebeu contribuições importantes.

O bate papo provocou os participantes a refletirem sobre o pertencimento de algum grupo na sociedade, seja ele cultural, educacional, entre outros, e quais as estratégias para entender e estimular esse pertencimento. Também estimulou reflexões sobre o conflito nas relações e de como lidar com eles de forma construtiva, além do entendimento sobre os recursos além dos aportes financeiros.

A programação contou também com a participação de convidados referências em educação e cultura, como a Deputada Federal Sâmia Bomfim, cuja linha de atuação prioritária é da luta contra o conservadorismo e os retrocessos, defesa da educação pública, cultura, moradia, segurança alimentar, direito à cidade, Direitos Humanos, mulheres, LGBTs, negras e dos negros, pessoas com deficiência, juventude e dos trabalhadores.

Sâmia, que é autora/ coautora de dez projetos relacionados à educação, cultura e esporte, participou da sessão “Educação Pública como Direito e não como Serviço”, ao lado de Karen Nunes, membro do Usina dos Atos. 

A deputada falou sobre pontos importantes da constituição, sobre a lei de determina a educação como direito de humanidade, além de ressaltar a necessidade dos coletivos para a sociedade.

“Os coletivos não são só importantes, eles são fundamentais, pois mudam vidas e organizam as pessoas. E quem teve essa oportunidade nunca esquece, as vezes faz dez anos que saiu de um coletivo, mas sabe a importância que isso teve na sua vida, então ele vira aluno, depois vira educador e isso se torna um poder na essência periférica”, ressalta Sâmia. 

“A educação é, constitucionalmente, considerada um direto, mas na prática ainda não chegou para maioria da população, ou se chegou foi pela metade, sem qualidade. E a educação popular, como por exemplo os cursinhos e coletivos vem cumprir o papel de cobrir aquilo que o estado falhou. Vem engajar a população, de fazer despertar a consciência, empoderar, brigar pelos direitos, então por isso eles são tão importantes”, complementa a Deputada Federal. 

No encerramento da programação, a Cia Corpos Outros, coletivo formado por ex-educandos da sexta turma do Projeto 1ª CENA, apresentou alguns trechos do espetáculo 'Periferia Esperança'. 

Sobre o USINA DOS ATOS:

O Coletivo USINA DOS ATOS considera essencial a formação do pensamento crítico e, sobretudo, a manifestação do ser humano enquanto agente de transformação. Ao pensarmos em uma sociedade justa e propositiva, visualizamos diferentes atores e movimentos sociais, espaços da cidade e Instituições atuando de forma cooperada, formulando políticas públicas e contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Parece Utópico? Talvez seja, mas esse é o desafio da nossa existência! Temos como princípio desenvolver ações que valorizam a natureza de cada pessoa, que provoquem o autoconhecimento e estimulem o olhar para o futuro, em prol de seus projetos de vida, mas sem perder de vista seu papel político e social no coletivo.

 

Sobre a Elaine Mineiro:

Elaine Mineiro é mãe, arte educadora e articuladora Cultural. É Coordenadora de Núcleo de Base da Uneafro Brasil, atua no grupo Samba das Pretas, na Cidade Tiradentes e na Comunidade do Jongo dos Guaianás.

 

Sobre Sâmia Bomfim:

Sâmia Bomfim tem 30 anos, foi vereadora de São Paulo e, atualmente, é deputada federal pelo PSOL. Elegeu-se com 249.887 mil votos, sendo a mais votada do partido e a oitava mais votada de todo o estado de São Paulo.

É a parlamentar mais jovem de uma histórica bancada do PSOL, a única sigla que, além de superar a cláusula de barreira, atingiu a paridade de gênero, elegendo 5 mulheres e 5 homens.

Sâmia está na linha de frente na luta contra o conservadorismo e os retrocessos, sempre defendendo a educação pública, a saúde, a cultura, a moradia, a segurança alimentar, o direito à cidade, os Direitos Humanos, das mulheres, dos LGBTs, das negras e dos negros, das pessoas com deficiência, da juventude e dos trabalhadores.

Seu mandato é feminista e, por isso, muitos de seus projetos propõem a igualdade de gênero e direitos para as mulheres, como o PL que institui a reserva de metade das cadeiras nos parlamentos brasileiros para mulheres — apresentando em coautoria com o deputado Marcelo Freixo.

Além das ações legislativas, Sâmia mantém um gabinete plural, faz questão de estar presente em muitas manifestações, prestar contas à população nas ruas e fazer das redes sociais uma ferramenta de aproximação e de participação política.

 

Sobre Teatro Conteiner

Encontro Usina dos Atos – Educação Popular, nossa bandeira, nossa trincheira.

Onde: Teatro De Conteiner - Rua dos Gusmões, 43 - Santa Ifigênia, São Paulo

 

Créditos imagem: Guilherme Santos

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